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riscos_e_rabiscos

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Das pessoas velhacas.

Há pessoas que conhecemos toda uma vida e a impressão que temos delas é que são pessoas pacíficas, calmas e de boa índole.

 

Acreditamos que o que a sua aparência nos transmite, corresponde à verdade, à realidade. Até que um dia descobrimos que aquilo que nos fizeram crer, não passa de um mero engano de vários anos.

 

Basta um pequeno gesto que afecta a vida dessas pessoas e de outras que lhe são próximas ou o som do tilintar de moedas, para desencadear o clique revelador. É nesta altura que o monstro que reside por baixo daquela aparência de "boa pessoa", lhe rasga a pele e se revela ao mundo. E que clama ser o dono do mundo, pelas leis e direitos que ditam a sua cabeça delirante.

 

É nesta altura que nos apercebemos de quão grande o monstro é, de quão cegas nós estávamos por não o conseguirmos enxergar debaixo da pele daquela "boa pessoa". Como é possível que uma pessoa seja tão ambiciosa e velhaca, a ponto de querer um mundo que não é só seu?

 

A única solução para apaziguar a sofreguidão deste monstro é quebrar o elo de ligação que o une aos outros . Espero que este elo seja quebrado muito em breve e que a vida trate de o ensinar que as coisas não são como ele quer e que os outros também têm algo a dizer.

 

 

 

Cena Insólitas!

 

 

Estava eu tão concentrada (e enjoada) a corrigir os meus testes quando recebo uma sms. Obviamente que fui ver de quem era, de quem se teria lembrado de mim. Toquei no visro para a sms se abrir e vejo que não conheço o número. Mas até podia ser um número novo de alguém. Aparece o texto e leio:

"Ne ke tax?"

Fiquei a olhar para aquilo e pensei "bom, alguém se enganou". Passadas mais umas horas, outra sms. Hum... vamos ver quem é. Mais uma do mesmo número. Desta vez dizia:

"Tens money?"

Já irritada com isto, porque suponho que a pessoa deve já ter percebido que as suas sms não chegam ao destinatário correcto porque isto hoje não foi a primeira vez, respondi à sms:

"Não conheço o seu número mas estou sempre a receber sms suas. Deve haver algum engano."

Sabem qual foi a resposta?

"WTF* "

                                                                 {#emotions_dlg.barf}

Acho que pelo menos merecia um "desculpe"...

 

 

* What The Fuck

Enganada.

 

Ia eu para a escolinha tão feliz e contente mentira!, fervendo de calor, a saltitar com a malinha na mão em direcção à paragem do autocarro, quando este passa e me ignora totalmente. Coloquei a minha malinha no banco da paragem e sentei-me ao seu lado, muito sugadita com as minhas mãos, de unhas pintadas de rosa, nos joelhos.

 

Finalmente, chega um outro autocarro. Entrei e sentei-me no único lugar existente no autocarro: ao fundo, no meio da putalhada que vinha na escola. Lá gramei com umas pitas histéricas, umas músicas de telemóvel estranhíssimas e vozes esganiçadas de miúdos a caminho de serem homens.

 

Até que olhei para o lado. Iaics! Qué isto? Estou a ver bem? Estavam duas miúdas aos beijos na boca uma com a outra! Mas uma coisa super intensa. Eram daqueles beijos que iam às profundezas do ser, daqueles que dá para fazer um exame completo à garganra e gengivas, daqueles que até fazem lavagens estomacais.

O homenzinho que ia sentado ao meu lado não conseguia afastar os olhos dali. E eu que não sou de ficar com os olhos pregados em "coisas incomuns" de se ver, ainda dei uma ou duas espreitadelas pelo canto do olho.

 

Entretanto mudei de lugar para me sentar à sombra - já tinha a moleirinha esturricada - onde fiquei até chegar à última paragem. Saí sem pressas e foi aí que constatei que afinal...

ela era ele!!!!*

{#emotions_dlg.blink}

 

* fui muita bem enganada!

Olha-M'esta...!

 

Estava eu a trabalhar com os meus alunos do 4º ano (quase meia turma) quando chega a a D. J., que é a senhora da limpeza. Como sempre vem espreitar à sala e cumprimentar. O problema é que não percebemos "batatas" do que ela diz. Não tenho a certeza mas ela é cabo-verdiana ou guineense e fala muito mal português, e o pouco que fala é muito atabalhoado.

 

Hoje disse-me "tá boa ticha? e o bebé?". Não percebi nada. Olhei para os miúdos e eles olharam para mim. Perguntei se tinha percebido o que ela disse, e eles responderam que tinham percebido o mesmo que eu.

 

Fiquei ali a matutar no assunto. Será que ela não estava com os copos? Será a minha camisola que me faz parecer grávida? Será que tenho uma barriga tão grande que ela pensou que eu tava grávida? Ou sserá que o meu lipoma está tão saliente que ela julgou que o "altinho" era uma gravidez... no estômago? Pois não sei responder.

 

Decidi que este fim-de-semana vou hibernar para não comer nem beber, gastar as energias armazenadas, dormir até mais não e segunda feira chegar à escola linda e esbelta. Que me dizem?!?

 

Egoismos e Ganâncias.

 

 

Há várias coisas que me fazem sair do sério. Principalmente, se disserem respeito a crianças e animais.

 

No meu dia de aniversário, havia também no colégio outra menina que fazia anos, como acho que já tinha contado.

É uma criança filha de pais portugueses mas que vivia num país anglo-saxónico só que agora veio para Portugal, ficando a viver com a tia.

Neste momento, encontra-se em processo de adaptação quer à escola, quer à língua materna.

 

Durante toda a semana a tia da menina andou a falar de um bolo de aniversário, querendo saber quantas pessoas estariam no colégio para poder fazer a encomenda do bolo.

Assim sendo, optei por não levar bolo de aniversário para a escola pois os miúdos não comeriam tanto bolo.

Decidi levar uma sobremesa e oferecer um saquinho com guloseimas a cada uma das crianças.

 

Chegado o dia do nosso aniversário, ao deixar a miúda do colégio, a tia entrou para me dar os parabéns. Reparei que vinha com as mãos vazias mas pensei que iria levar o bolo mais tarde.

É então que ela me diz que como os tios, os primos e mais um par de botas não podiam entrar nos colégio para cantar os parabéns à miúda, não iria trazer bolo de aniversário.

 

A minha cara caiu ao chão e só me lembrei na tristeza que a criança deveria sentir e da minha burrice por não ter levado um bolo. Fiquei com um nó n garganta e com uma revolta tal que só me apetecia engolir a tia. Não foi só a sobrinha que foi enganada mas também todas as outras crianças. A tia podia ter feito um bolo em casa ou comprado um qualquer no supermercado. Isso bastava.

 

É usual no colégio, sempre que uma criança faz anos, levar um bolo de aniversário para soprar as velas com os coleguinhas.

Se esta criança se encontra em processo de adaptação, não precisaria ainda mais de um bolo aniversário para soprar as velas na escola?

Não será o “bolo de aniversário” um símbolo de união, ligação e interacção entre as crianças?

Mas o dinheiro e o egoísmo dos adultos sobrepõem-se sempre aos interesse e bem-estar das crianças, infelizmente.

 

Como viram a decepção e a raiva estampada na minha cara, a C. e a P., secretamente, foram comprar um bolinho ao supermercado para nos fazer uma surpresa.

Os parabéns foram cantados a mim e à miúda que ficou radiante. A cara dela adquiriu um sorriso rasgado e os olhinhos dela brilharam.

Isto não vale mais do que o dinheiro de um bolo de aniversário?

 

A Língua Portuguesa é Muito Traiçoeira!

                                             

A cena passa-se no café, entre uma senhora velhota e um dos donos do café, o Sr. J. .

A senhora, muito bem parecida e arranjada, encontra-se sentada na mesa e faz o seu pedido ao Sr. J. Passados alguns segundos, acrescenta o seguinte:

 

- Pode-me aquecer um bocadinho? – diz a senhora.

 

O Sr. J. olha para mim, escandalizado, e pergunta-me:

 

- Já viu isto? Pode-me aquecer um bocadinho?!

 

Eu respondo:

 

- Mas quem disse isso?

 

- Uma velhota que está ali sentada…

 

- Realmente, Sr. J. , propostas indecentes a estas horas, não… mas ao menos valia a pena nem que fosse aquecer só os pés?

 

- Irra, diz o Sr. J. , só se fosse rica!!! E mesmo assim…

 

- Mas o Sr. J. ia aquecer-lhe os pés já com a contrapartida na mão (o testamento)!

 

- E ia estragar o que já lá tenho em casa? Não vale a pena!

 

- Pois é, mais vale conservar o que temos lá em casa. Ao menos com esses sabemos com o que podemos contar! – respondi eu.

E desatámos os dois a rir.

 

Por isso, meus amigos e amigas, cuidado com aquilo que pedem! Os vossos desejos podem concretizar-se! Imaginem que diziam, estendendo o prato com uma sandes ao empregado, “corte-me ao meio, sim?” Glup!!!